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‘Movimento Fibras Naturais Brasileiras’ é apresentado ao Governador da Bahia

Reunião com Governador da Bahia_24 jul 26 (3)
28 de Julho de 2026

Representantes da indústria baiana se reuniram, em 24/07/26, com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, para discutir medidas que reduzam os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos locais. Entre as preocupações estão a perda de competitividade, os riscos às exportações e os efeitos sobre empregos e investimentos. O encontro também teve como pauta a apresentação do “Movimento Fibras Naturais Brasileiras”, liderado por Wilson Andrade, presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais da FIEB (Sindifibras) e da Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura e Pecuária (CSFN/MAPA).

Durante a reunião, o presidente do Sindifibras e da CSFN argumentou que existem dois bons caminhos para minimizar esses impactos das novas tarifas. “É preciso dar continuidade às negociações com a participação ativa das entidades empresariais nacionais. Além disso, é necessária a liberação de linhas de crédito especiais que permitam que as empresas do setor de fibras naturais não parem de produzir, de forma a não prejudicar, especialmente, os pequenos e médios produtores”, explicou.

Andrade também declarou que momentos incertos, como o atual, devem ser encarados como oportunidade para que os setores produtivos conquistem mais e novos mercados, com mais segurança e diversificação de produtos. Para ele, o “Movimento Fibras Naturais Brasileiras” - lançado em 2026 – é uma proposta de virada de chave através de projetos específicos para aproveitar as oportunidades do "novo mundo verde", com ênfase em bioprodutos, uso integral das plantas (resíduo zero), Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e acesso ao mercado mundial de carbono, com suas políticas, programas e incentivos ligados à mitigação das mudanças climáticas.

“Estamos fazendo um inédito, amplo e ambicioso programa de recuperação, buscando mais produtividade e competitividade nas nossas fibras. Com isso, várias fibras naturais que perdem mercado para as sintéticas há 30 anos, podem aproveitar a tendência de crescimento de 1,5% ao ano nos próximos 10 anos, segundo estudos recentes da FAO. Lembremos ainda que a produção das fibras naturais, globalmente, gera cerca de US$ 60 bilhões em valor de produção, soma 33 milhões de toneladas por ano e proporciona renda para cerca de 60 milhões de famílias. No Brasil são aproximadamente 2 milhões de famílias impactadas direta ou indiretamente”, completou.

O objetivo é preparar projetos específicos para cada uma das fibras naturais brasileiras: bambu, cânhamo, coco, malva/juta, piaçava, seda e sisal. Estão sendo utilizados, como exemplo, os projetos de cânhamo (que gerou a autorização da Anvisa para o plantio da fibra e derivados medicinais) e de sisal (utilização total da planta, o que significa economia circular e aproveitamento dos resíduos que hoje são descartados sem valor econômico) que já estão prontos e mostram caminhos para parcerias, patrocínios e investimentos locais e internacionais em larga escala. Com essas experiências, o Movimento está prosseguindo inicialmente para a malva/juta que gera renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional para milhares de famílias rurais no Pará e no Amazonas.

“Na Bahia, o Movimento também está caminhando para parcerias estratégicas com, pelo menos, cinco secretarias de Estado, a exemplo da pasta de Trabalho e Renda, com quem estamos discutindo as melhorias nas condições de trabalho em algumas regiões produtivas do sisal. Com as secretarias de Desenvolvimento Econômico e Desenvolvimento Rural estamos trabalhando em projetos de novos usos para o sisal (e seu resíduo) como fonte para mucilagem, adubo, biomassa, entre outros”, acrescenta Andrade.

Estes projetos serão apresentados em eventos promovidos nas regiões de produção de cada fibra. Os encontros vão reunir produtores, industriais, pesquisadores, representantes do governo e instituições de apoio para discutir caminhos concretos para revitalizar a produção nacional de fibras naturais; ampliar a base produtiva com inclusão de pequenos e médios produtores; promover inovação tecnológica e aumento de produtividade; fortalecer a indústria nacional de processamento de fibras; ampliar novos usos industriais para fibras naturais, incluindo biocompósitos, geotêxteis, embalagens e materiais sustentáveis. Estes projetos serão entregues para instituições parceiras, dos setores envolvidos e autoridades, com destaque ao Presidente da República eleito em 2026.

Composto por representantes do setor público, do setor privado, das associações que defendem os produtores e a indústria, bem como de instituições de financiamento, desenvolvimento e inovação tecnológica, o Movimento está negociando o apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), das federações de agricultura e indústria dos estados produtores e das secretarias estaduais. Essa iniciativa teve início na reunião conjunta da FAO, da INFO e da CSFN/MAPA, realizada de 26 a 30/05/24 na sede da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB), em Salvador (BA).

Participaram do encontro com o governador, lideranças dos setores de celulose, fibras naturais, química e petroquímica, pneumáticos e plásticos, além do presidente da FIEB, Carlos Henrique de Oliveira Passos; do CEO da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos – ANIP, Rodrigo Navarro; do presidente do Sindpacel e da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Fernando Branco; do presidente do Sinpeq e vice-presidente da FIEB, Carlos Alfano; e do superintendente da FIEB em exercício, Marcus Verhine.

O governador afirmou que o Estado seguirá atuando em articulação com o Governo Federal para buscar soluções negociadas e determinou a elaboração de uma agenda de proteção à indústria baiana, contemplando medidas de competência estadual e o encaminhamento das demandas prioritárias ao governo federal.


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