O empresário e economista Wilson Andrade participou, de 29/6 a 2/7/2026, de nova reunião do Conselho Consultivo (CC) do Fundo Comum de Commodities (CFC) da Organização das Nações Unidas (ONU) - do qual é vice-presidente -, em Amsterdam (Holanda). Andrade – que é também presidente do Grupo Intergovernamental de Fibras Naturais da FAO (Food and Agriculture Organization) e da INFO (International Natural Fibers Organization) - aproveitou a ocasião para apresentar o “Movimento Fibras Naturais Brasileiras” que reúne as instituições que representam as fibras naturais brasileiras: bambu, cânhamo, coco, malva/juta, piaçava, seda e sisal.
Na reunião foram analisados 18 projetos da África Oriental, Bangladesh, Brasil, Burkina Faso, Camarões, Colômbia, Costa do Marfim, Emirados Árabes Unidos, Gana, Índia, Maláui, México, Nepal, Nigéria, Países Baixos (Holanda), Quênia, Suíça, Tanzânia e Uganda. Os projetos envolvem commodities como algodão, cacau, café, caju, castanha de caju, cera de abelha, cereais e sementes resilientes ao clima, coco, cúrcuma, especiarias, frutas secas, frutas tropicais processadas, frutas tropicais secas, leguminosas, macadâmia, madeira, mel, multicommodities agrícolas, proteína animal (Avicultura) e urucum, além de projeto de créditos de carbono.
Os projetos terão um aporte de US$ 20 milhões do CFC, englobam US$ 60 milhões em investimentos que vão beneficiar as commodities das quais dependem 37 países. Além disso, segundo a ONU, cerca de 50 milhões de famílias dependem diretamente do comércio de commodities ao redor do mundo. Isso inclui agricultores, trabalhadores da indústria extrativa e outras pessoas cujos meios de subsistência estão ligados ao setor.
“O agronegócio baseado nas commodities gera, em todo mundo, um bom percentual da economia total. Todavia, há a preocupação no que diz respeito à melhor distribuição dos resultados da atividade com commodities entre os diferentes elos das cadeias produtivas. É preciso corrigir a distribuição atual de rendimento dos resultados das commodities. Por isso é importante que nos preocupemos em apoiar o financiamento de projetos que favoreçam a verticalização das cadeias produtivas, com inclusão de tecnologias e inovações que permitam a melhor distribuição de rendimentos das atividades”, declarou Andrade, também presidente do Sindifibras (Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais da FIEB) e da Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura e Pecuária (CSFN/MAPA) que lidera o “Movimento Fibras Naturais Brasileiras”.
O CFC (www.common-fund.org) é formado por 101 países-membros com a missão de apoiar o desenvolvimento econômico, social e ambiental, através de incentivos a commodities em todo o mundo. O CC é composto por nove especialistas eleitos pelos países-membros indicados e eleitos que têm a função de definir prioridades para o Fundo, analisar, aprovar e acompanhar projetos que lhe são apresentados.
Para Andrade, com a presença de um brasileiro no CC, o Brasil ganha pelo acesso às informações e pela maior interação entre os países no desenvolvimento de commodities. “O Brasil precisa se internacionalizar mais e este esforço tem que ser conjunto entre o Governo e a iniciativa privada. E não apenas pela possibilidade de financiamento do Fundo, mas pelas oportunidades com outras fontes da ONU e de países-membros, aos quais podemos levar as demandas do nosso agronegócio – o setor que mais ajuda o Brasil a crescer”.
Movimento – Lançado em 2026, o “Movimento Fibras Naturais Brasileiras” entrou na pauta da reunião do CC do CFC e chamou a atenção dos seus membros, e da FAO que o incluiu na pauta da sua próxima reunião que acontecerá em Changsha, na província de Hunan (China), em outubro de 2026. Nessa mesma linha Wilson Andrade apresentará o MOVIMENTO para diversos fundos internacionais, a exemplo do OPEC Fund dos Emirados árabes.
Composto por representantes do setor público, do setor privado, das associações que defendem os produtores e a indústria, bem como de instituições de apoio, financiamento, desenvolvimento e inovação tecnológica, o MOVIMENTO está negociando o apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), das federações de agricultura e indústria dos estados produtores e das secretarias estaduais competentes.
“Estamos fazendo um inédito, amplo e ambicioso programa de recuperação, buscando mais produtividade e competitividade nas nossas fibras. Com isso, várias fibras naturais que perdem mercado para as sintéticas há 30 anos, podem aproveitar a tendência de crescimento de 1,5% ao ano nos próximos 10 anos, segundo estudos recentes da FAO. Lembremos ainda que a produção das fibras naturais, globalmente, gera cerca de 60 bilhões de dólares em valor de produção, soma 33 milhões de toneladas por ano e proporciona renda para cerca de 60 milhões de famílias. No Brasil são aproximadamente 2 milhões de famílias impactadas direta ou indiretamente”, explica Andrade.
Segundo ele, o objetivo é preparar projetos específicos para cada uma das fibras, para um maior ganho de mercado e para o melhor aproveitamento das oportunidades que este novo mundo verde traz, com destaque para os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e acesso ao mercado mundial de carbono, com suas políticas, programas e incentivos ligados à mitigação das mudanças climáticas.
Estão sendo utilizados, como exemplo, os projetos de cânhamo (que gerou a autorização da Anvisa para o plantio da fibra e derivados medicinais) e de sisal (utilização total da planta, o que significa economia circular e aproveitamento dos resíduos que hoje são descartados sem valor econômico) que já estão prontos e mostram caminhos para parcerias, patrocínios e investimentos locais e internacionais em larga escala. Com essas experiências, o MOVIMENTO está prosseguindo inicialmente para a malva/juta que gera renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional para milhares de famílias rurais no Pará e no Amazonas.
Estes projetos serão apresentados em eventos promovidos nas regiões de produção de cada fibra. Os encontros pretendem reunir produtores, industriais, pesquisadores, representantes do governo e instituições de apoio para discutir caminhos concretos para revitalizar a produção nacional de fibras naturais; ampliar a base produtiva com inclusão de pequenos e médios produtores; promover inovação tecnológica e aumento de produtividade; fortalecer a indústria nacional de processamento de fibras; ampliar novos usos industriais para fibras naturais, incluindo biocompósitos, geotêxteis, embalagens e materiais sustentáveis.
Ao final de 2026, esta coleção de projetos será entregue para instituições parceiras, dos setores envolvidos e autoridades, com destaque especial ao Presidente da República eleito. Toda essa iniciativa teve início na reunião conjunta da FAO, da INFO e da CSFN/MAPA, realizada de 26 a 30/05/24 na sede da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB), em Salvador (BA).





