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Desenvolvimento das cadeias produtivas de fibras naturais em meio à crise climática é debatido em encontro mundial do setor

Organizado pelo Sindifibras e entidades privadas, evento reúne lideranças para discutir os desafios do segmento que emprega mais de 2 milhões de brasileiros

Encontro Mundial de Fibras Naturais
27 de Maio de 2024

Um novo desenvolvimento econômico para garantir uma posição internacional de relevância das cadeias produtivas das fibras naturais começou a ser discutido no Encontro Mundial de Fibras Naturais, nesta segunda-feira (27/05), na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em Salvador (BA).

O evento, que vai até o dia 30, é organizado pelo Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia (Sindifibras/Fieb) e pelas demais entidades privadas ligadas ao setor que cuidam da cadeia de fibras naturais do Brasil (sisal, juta, malva, coco, piaçava, bambu, seda e cânhamo).

Em depoimento enviado aos participantes, o Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Qu Dongyu, ressaltou que as fibras naturais como juta, abacá, coco, kenaf e sisal – conhecidas como JACKS movimentam uma economia estimada em U$ 60 milhões de dólares por ano, contribuindo para a geração e renda e a segurança alimentar, além do empoderamento de mulheres rurais, amplamente envolvidas com a produção em todo o mundo. “As fibras ainda são eco amistosas e têm sido utilizadas de formas inovadoras. Precisamos ampliar esta escala. A tecnologia e a inovação devem estar no centro das soluções para superar os desafios dessas cadeias”, pontuou.

Eleito presidente do Grupo Intergovernamental de Fibras Naturais da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Wilson Andrade fica no cargo por dois anos. Também presidente da Organização Internacional de Fibras Naturais (International Natural Fibers Organization - INFO), da Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (CSFN/MAPA) e do Sindifibras, Andrade afirmou que o setor está recuperando parte do mercado perdido para a indústria das fibras sintéticas. “Estamos buscando novas oportunidades para nossas fibras naturais e as notícias são positivas. Pela primeira vez, depois de muito tempo, temos expectativa de crescermos ao menos 1.2% ao ano, nos próximos anos”, anunciou durante a abertura do evento.

A abertura do encontro contou com a presença de representantes dos Grupos Intergovernamentais de Fibras Naturais da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) do Brasil, Bangladesh, China, Alemanha, Filipinas, Sri Lanka, Tanzânia, EUA, Holanda e Reino Unido. O evento também recebeu lideranças de instituições parcerias e do poder público.

O diretor-executivo de Governança e Gestão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alderi Araújo, ressaltou que as fibras naturais já nascem com a marca da sustentabilidade e que a cadeia é uma “imensa fábrica de empregos”. Só no Brasil, de acordo com ele, 850 mil pessoas dependem do sisal. “Cabe um esforço enorme no sentido de se investir em insumos biodegradáveis e na Inclusão socioprodutiva de trabalhadores das regiões menos favorecidas, que ainda estão à margem do conhecimento e da tecnologia”, declarou.

Representando o secretário de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia, Wallison Torres, o superintendente de Política do Agronegócio, Claudemir Nonato, falou sobre a importância da utilização de pesquisas e dados já existentes na poio técnico que se pode oferecer aos produtores. “O Brasil e a Bahia precisam muito da ciência, da tecnologia e da inovação. Temos muito o que conversar e convergir para avançarmos, por exemplo, no que se refere à baixa produtividade de cadeias como a do coco e do sisal. Precisamos também atrair agroindústrias, estamos estudando que tipo de incentivos podem ajudar nisso”, assegurou.

O presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, destacou que Brasil é um importante player na produção de fibras naturais, sendo esta uma atividade que gera renda para regiões com pouca alternativa econômica, e que a magnitude do setor, pela sua aplicabilidade e capacidade de absorver carbono, merece mais apoio e políticas, que poderão sair como resultado do evento.

“A integração com outros países pode gerar cooperação para novas utilizações das fibras. Esperamos que estudos e projetos contribuam para a integração de mercado e oportunidades de acesso às compensações ambientais. É interessante que o Encontro aconteça aqui para que possamos mostrar ao mundo nossas vantagens competitivas, pois vivemos uma janela de investimentos que pode ser de grande proveito para a agregação de valor. Estamos juntos com o Sindifibras para superar os desafios”, pontuou.

O presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda, ressaltou que a melhora na produtividade das cadeias produtivas precisa acontecer para gerar mais emprego às pessoas do campo, além de gerar oportunidade de novos negócios. “Temos o exemplo do algodão, que é da melhor qualidade. Então, precisamos fazer um investimento de apoio para que a região do sisal cresça em produtividade. Hoje, apenas de 5% a 7% da produção se aproveita. Precisamos cuidar desta cultura”, disse.

Evento – O encontro segue amanhã com as reuniões de grupos FAO e, no dia 29, com um seminário técnico em que estudos e resultados serão apresentados por pesquisadores e representantes da Embrapa, Unicamp, SENAI Cimatec, Unesp, Sindifibras, Companhia Têxtil de Castanhal e Green Coco Europa. Como programação extra, os participantes farão uma visita técnica na região produtora de sisal no município de Conceição do Coité/BA em 30/05, com o apoio da Prefeitura Municipal de Conceição do Coité.

Apoio e convidados - O evento conta com apoio do Governo do Estado da Bahia (Flem, SDE, Seagri e Setur), da Prefeitura Municipal de Conceição do Coité e de entidade empresariais locais como Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia (Sindifibras), Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB) e Federação das Indústrias da Bahia (FIEB). Também conta com o apoio nacional da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).

Apoio:

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Realização:

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